Estou indo para a ultima semana no Brasil, são muitos “los adioses”. É o adeus da mãe, do pai, da irmã, da cachorra, dos tios, dos primos, da vó, do samba, dos amigos, da terapia, das aulas de espanhol, do pessoal do flamenco, da faculdade, de algumas roupas, do meu quarto, do mar...
São adeuses tranquilos. Aprendi a guardar as marcas que as coisas daqui deixaram, sem ter que levá-las comigo ou querer estar sempre perto materialmente. Essas marcas estão em mim onde quer que eu esteja . Existem coisas que o tempo e espaço não destroem: las huellas.
É preciso aceitar a morte das coisas para que se construa o novo. A partida é uma morte do que foi até agora e que renasce em um novo caminho.
Pra terminar, Galeano:
A pequena morte
Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França, a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.